RENATA DE QUEIROZ VARELLA, Orientador: Professor Doutor Mauro Romero Leal Passos

 

RESUMO

 

Introdução: As vaginites têm relevada importância médico social. Podem gerar intercorrências graves na gradivez e facilitar a transmissão do HIV. Os tratamentos podem causar desconforto físico, transtornos da sexualidade e psicossociais à mulher e a família.

Objetivos: Testar a validade de um conjunto de autocoleta do conteúdo vaginal para estudo da microbiota pela coloração de Gram, comparando com a coleta feita por médico. Determinar a freqüência de vaginites pela bacterioscopia corada pelo método de Gram.

Métodos: Critérios de Inclusão: mulheres voluntárias alfabetizadas de classe social baixa que já tenham tido coito vaginal; idade entre 18 e 45 anos; residentes em Niterói ou Piraí e cadastradas em unidades de PSF. Critérios de Exclusão: mulheres com sangramento vaginal; uso de antibiótico; tenham tido coito vaginal dois dias ou menos antes de cada coleta. Foram adotadas as rotinas clássicas de microbiologia (método de Nugent) para análise dos materiais usando a coleta pelo médico como padrão ouro. Foi disponibilizado conjunto para autocoleta contendo tubo oco, lâmina de vidro, escovinha de cabo longo, frasco (tipo preventivo), cartão de identificação e guia de procedimentos. Depois da autocoleta as mulheres procuraram a unidade de PSF para entrega do material, exame e coleta de novo material por médico. O projeto, inédito, foi aprovado pelo CEP (HUAP) e CONEP. Projeto piloto anterior mostrou segurança e excelentes resultados. Resultados: 106 mulheres cumpriram o protocolo. Material considerado insatisfatório pelo microbiologista: 3 (2,83%) por autocoleta e por coleta do médico concomitante. 3 (2,83%) por autocoleta. 3 (2,83%) por coleta por médico; Autocoleta 6 (5,66%) e coleta por médico 6 (5.66%). Diagnóstico por autocoleta: Vaginose bacteriana: 23 (21,7%); Microbiota vaginal alterada: 11 (10,38%); Tricomoníase: 6 (5,66%); Candidíase: 4 (3,78%); Normal: 56 (52,83%). Diagnóstico por coleta do médico: Vaginose bacteriana: 19 (17,93%); Microbiota vaginal anormal: 12 (11,32%); Tricomoníase: 6 (5,66%); Candidíase: 3 (2.83%); Normal: 60 (56.6%). Vinte mulheres (18,87%) foram pela primeira vez examinadas na esfera ginecológica. Autocoleta e Coleta pelo médico foram concordantes P=0,000,  p<0,05 e Kappa 0,060115.

Conclusão: Os resultados da autocoleta foram semelhantes ao da coleta por médico validando o conjunto proposto; Os índices de insatisfatórios foram semelhantes entre os grupos; Vaginose bacteriana foi a alteração mais freqüente; Como os sujeitos de pesquisa eram “sadias”, as taxas de VB e tricomoníase demonstram a necessidade de ação ativa na busca das assintomáticas; Como o conjunto de autocoleta é de fácil manuseio, baixo custo e foi bem aceito deve ser mais estudado, pois representou oportunidade de captação de mulheres para exame ginecológico, principalmente aquelas que possuem difícil acesso à atenção básica de saúde.

 

   

Palavras-chave: Vaginites, autocoleta, diagnóstico

 

Mauro Romero Leal Passos
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