Ocorrência de Doenças Sexualmente Transmissíveis Antes e Depois do Carnaval em Niterói –RJ

 

DEPARTAMENTO DE MIP/CMB/CCM - SETOR DE DST/UFF

 

Mauro RL Passos1, Wilma NC Arze2, Auri V Nascimento3, José CS Silva3, Daniela DS Gardioli4, Zanon PS Passos5, Fernanda H Silva5, Mariana DL Passos5,  Guillermo Coca 6,

 

INTRODUÇÃO

                     O Carnaval é uma festa popular coletiva, que foi transmitida oralmente através dos séculos, como herança de festas pagãs. Na verdade, não se sabe ao certo a origem do nome, que continua sendo polêmica. Alguns estudiosos afirmam que tem suas raízes em alguma festa primitiva, de caráter orgíaco. 1O Carnaval brasileiro se popularizou, incorporando elementos do folclore, tanto de origem africana quanto portuguesa, e passou a ser realizado periodicamente. Atualmente é difundido em todo o Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Olinda. 2

                     No carnaval a sensualidade é explorada como produto de “marketing” pelos meios de comunicação de massa, sobretudo pela televisão, a qual veicula imagens do Carnaval pelo país: bailes de salão, escolas de samba etc., sempre focalizando corpos bronzeados e semidesnudos em coreografias e trejeitos provocantes, estimulando a libido.3

 

OBJETIVOS

                     Verificar e correlacionar com o período de Carnaval (pré e pós), um possível aumento na freqüência de DST/Aids, refletida em um aumento no número de atendimentos no setor de DST da Universidade Federal Fluminense (MIP/CMB/CCM), Niterói, Rio de Janeiro, Brasil.

 

METODOLOGIA

                     Foi realizado um estudo retrospectivo, analítico e comparativo, de 2812 atendimentos ocorridos no ambulatório do setor de DST da UFF em Niterói-RJ nos 30 dias que antecederam a semana do Carnaval e nos 30 dias após seu término, nos anos de 1999 a 2004. Considerou se o intervalo de 30 dias como uma margem segura para o aparecimento de manifestações clínicas, após o contágio e o período de incubação, das DST clássicas tais como sífilis, gonorréia, tricomoníase etc.

                     Do total de 2812 prontuários pesquisado, 833 (29.62%) constituíram a nossa amostra.

                     Foram selecionados aqueles atendimentos nos quais foram feitos diagnósticos de DST ou infecção genital, confirmados clínica e/ou laboratorialmente, pela primeira vez, neste período definido como Carnaval. Não foram considerados os atendimentos para controle de tratamento e orientações.

                     Foram definidas como variáveis a serem analisadas: sexo, idade, procedência (município de residência) queixa principal, achados do exame físico e diagnóstico definitivo.

                     Os métodos laboratoriais analisados foram os utilizados na rotina do setor, tais como: técnica de coloração por Gram, exame de lâmina à fresco, teste das aminas, Cultura para Neisseria gonorhoeae, pesquisa de Treponema pallidum em microscopia de campo escuro, teste de pH e VDRL.

                    

                     Os dados foram inicialmente tabulados em Excel 5.0 e posteriormente foram processados utilizando-se o programa Epi Info. 

                     Foram determinadas as taxas de freqüências simples e percentual para cada diagnóstico, como descrito abaixo, e utilizado o teste estatístico não paramétrico do qui-quadrado (χ2), no qual foram adotados p>0,01 e p<0,05, com o objetivo de verificar se houve ou não diferenças estatisticamente relevantes na freqüência de cada diagnostico entre os períodos anterior (30 dias anteriores) e posterior (30 dias posteriores) ao carnaval.

 

 

RESULTADOS

                     Foram selecionados 833 prontuários de 1999 a 2004, sendo 389 (46,7%) referentes ao período anterior ao Carnaval e 444 (53,3%) ao período posterior ao Carnaval.

                     A distribuição do número de atendimentos é mostrada no gráfico 1.

GRÁFICO 1:Número de atendimentos em 1994 - 2004

 

Fonte: arquivo médico do Setor de DST/UFF.

 

 

 

 

GRÁFICO 2:Distribuição por sexo antes e depois do carnaval.

Fonte: arquivo médico do Setor de DST/UFF.

 

 

 

 

 

 

 

 


GRÁFICO 3: Distribuição por idade antes e depois do carnaval


Fonte: arquivo médico do Setor de DST/UFF.

 

 

 

 

 

 

 

 

 


GRÁFICO 4: Freqüência dos diagnósticos antes e depois do Carnaval de 1999-2004


Fonte: arquivo médico do Setor de DST/UFF.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


CONCLUSÃO

                     Conclui-se com esta pesquisa que o número médio de casos, de doenças sexualmente transmissíveis, antes do Carnaval é igual ao número médio de casos depois do carnaval.

                     Das doenças pesquisadas no setor de DST da Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ nos períodos pré e pós-Carnaval dos anos de 1999 a 2004, houve aumento significativo apenas para a sífilis.

 

 

Referências bibliográficas

1-Site da liga das escolas de samba do Rio de Janeiro WWW.liesa.com.br cultura-e-curiosidades. Acessado 18:30h – 20/07/2004.

2- Enciclopédia Delta Universal. Editora Delta, Rio de Janeiro 1987.

3- Passos MRL e cols - Ocorrência de Doenças Sex.Transm. Antes e Depois do Carnaval no RJ. Jor. bras. DST . Rio de Janeiro l4(1) pág. 39

4- ELTERIO,J. Mobiluncos na vaginose  bacteriana. Jor. bras. DST. Rio de Janiero V.7(3).1995.p.20-21.

5- ABERASTURY,A,K.NOBEL,M.Adolescência normal.5º ed. Porto Alegre: Artes médicas; 1986.p.90.

6- GOMES, A, W. COSTA, M, C, O. SOBRINHO, C, L, N. SANTOS, S, T, A, C. BACELAR, B, E. Nível de informação sobre adolescência, puberdade e sexualidade entre a dolescentes. Jor. De ped. N4.v78.2002. p.3001-308.