Disciplina de DST
   

Proposição para a Inserção da Disciplina de DST no

Currículo dos Cursos de  Medicina

 Autores 

Mauro Romero Leal Passos, Nero Araujo Barreto e Vandira Maria dos Santos Pinheiro

 Fundamentos 

Os dados de incidência, prevalência e estimativas sobre as principais DST (sífilis, gonorréia, tricomoníase, infecção por clamídia, herpes genital e HPV ) no Brasil e no mundo, continuam a apontar que, são essas afecções, graves problemas em saúde pública.  

A despeito dos conhecimentos teóricos acumulados ao longo de séculos sobre essas patologias, elas permanecem desafiadoras, uma vez que acometem parcelas significativas de pessoas de todas as camadas sociais. Também no que diz respeito a idade, estão afetando, desde jovens, incluindo crianças (sexualmente abusadas ou não), adolescentes e  adultos da terceira idade.

 Por mais que possa parecer estranho, nem a população geral, tampouco os médicos (e outros profissionais de saúde  e educação), passando pela imprensa, dão a importância que o assunto merece. Haja visto, os poucos espaços que as  DST ocupam nos noticiários e nas salas de aulas. Esses fatos não ocorrem com a Aids.

 Para piorar a situação, observamos há muito que o conhecimento teórico sobre questões básicas acerca das DST pelos médicos são baixos. 

Nos pré-testes aplicados durante treinamentos para médicos e enfermeiros para a atenção a casos de DST promovidos pelo Setor de DST da Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ, sob o patrocínio da Coordenação Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, observamos,  ao longo de  oito anos, que sistematicamenteas notas muitos baixas. As médias, sem exceção são reprovatórias. (Arquivos do Setor de DST-UFF, 1994-2002) 

Recentemente, Duarte et al (2002) aplicaram questionários com questões básicas a médicos ginecologistas de uma escola de medicina da grande São Paulo, o estudo revelou que entre os entrevistados apenas 5.7%dos dominam conhecimentos  fisiopatogênicos sobre a sífilis. 

Assim, não se deve, nem pode-se, deixar para amanhã ações que procurem reverter essas situações. 

Com a experiência acumulada há mais de doze anos no ensino específico de DST (aperfeiçoamento, especialização, mestrado, optativa para graduação em medicina e enfermagem e internato específico em medicina )  na UFF, nos sentimos responsáveis para  propor  a criação da disciplina de DST no curso de medicina de faculdades brasileiras. É importante ainda que sejam considerados os documentos apresentados em anexo.

 

Objetivo 

  • Despertar a necessidade de implantação, urgente, de disciplina optativa ou obrigatória de DST, nos cursos de medicina das faculdades brasileiras.

  

Metodologia 

Através de envio desse projeto para todas as Faculdades de Medicina do Brasil, pelo correio, com aviso de recebimento, estaremos criando condições de sensibilização para que as Instituições de Ensino Superior (IES) viabilizem tal trabalho. 

Sob nossa coordenação, estaremos convidando o Professor Newton Sérgio de Carvalho do Departamento de Ginecologia da Universidade Federal do Paraná, pois nessa IES também funciona disciplina de DST, para organização conjunta de um simpósio sobre criação de disciplinas de DST nas IES, a ser realizado em Niterói, na Universidade Federal Fluminense.

 Também serão convidados a participarem, apoiarem e patrocinarem todas essas ações, a Coordenação Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, Associação Médica Brasileira, Conselho Federal de Medicina, Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro, Associação Médica Fluminense e obviamente todas as Faculdades de Medicina.  

Resultados esperados 

Esperamos que ao final de dois anos após o simpósio, 15% das Faculdades de Medicina pública (federal ou estadual) e 5% das particulares,  tenham inserido em seus currículos a disciplina de DST (optativa ou obrigatória).  

Cronograma de atividades

 Este anteprojeto foi apresentado formalmente no IV Congresso da Sociedade Brasileira de DST ­­- DST 4, Manaus 2002, durante a Mesa Redonda Capacitação em DST, sub tema: Inserção no Currículo – Experiência da Universidade Federal Fluminense, dia 03/09/02 às 9:20 horas no Salão Nobre do Tropical Hotel Manaus. 

A recepção foi a melhor possível.

  

Mauro Romero Leal Passos 

Setor de DST – UFF

MIP/CMB/CCM

Campus do Valonguinho, Outeiro São João Batista, s/n, Centro – Niterói-RJ – 24210-150. 

E-mail: mipmaur@vm.uff.br / Home Page: www.uff.br/dst/

 

OBS: Esse material foi apresentado e recebeu apoio total. Atualmente, estamos tentando viabilizar a proposta e para tanto contamos com a participação de todos.